domingo, 27 de março de 2011

O que é ciência?

  Talvez esta seja uma das perguntas mais difíceis de explicar. A ciência tem transformado nosso mundo moderno de maneira profunda e espetacular. Ela mexeu tanto com cada pedacinho da vida que é impossível escapar às suas garras.
A ciência começa com: “Eu quero saber” “Saber” é tão natural e direto que tentar definir o que isso significa pode parecer estranho. Mas, na verdade, explicar o que queremos dizer com “saber” pode ser extremamente complexo, já que este conceito pode ter muitos significados.
Se fizermos uma lista de sinônimos, veremos que “saber” pode significar conhecer, compreender, ler ou ver, sentir, avaliar, reconhecer, considerar, analisar, praticar ou dominar.
   Na prática, “saber” exige fazer perguntas, duvidar e checar os fatos, objetos e ideias.
Mas podem existir diferentes graus de questionamento. Na vida diária, os objetos com os quais interagimos nos dão uma experiência concreta e imediata das coisas. Nossos sentidos, por meio do que vemos, tocamos, cheiramos, provamos e ouvimos automaticamente – sem pensar –, nos dão respostas diretas, evidentes e familiares sobre a realidade.
   No contexto da ciência, “saber” significa exercitar a curiosidade, observar e coletar informação suficiente para identificar, distinguir e descrever as diferentes características da realidade da forma mais verdadeira. Essa “realidade” pode ser real, virtual, concreta, natural, artificial, abstrata, física ou metafísica.
E o exercício da curiosidade produz conhecimento. Na maioria das vezes, o conhecimento torna possível usar a razão e eventualmente desenvolver argumentos racionais.
A ciência tem aumentado as potencialidades da vida humana e tem aberto caminho para um florescimento completo da capacidade criativa do ser humano Mas é precisamente uma certa concepção "científica" da posição do ser humano na natureza, primeiro sugerida no século XVII, que está na origem de nossos crescentes problemas econômicos, ecológicos e éticos Nessa concepção, que remonta a trezentos anos, a ciência é encarada como um instrumento de dominação do homem sobre a natureza, e o homem se vê como um componente mecânico de um universo que é como uma máquina.
Esse quadro "científico" do homem e da natureza tem mudado profundamente durante o século corrente. O desenvolvimento da física, da biologia e das ciências cognitivas tem mudado a idéia do homem como uma peça numa máquina gigantesca, determinística, para a idéia do homem como um componente orgânico de um todo não-determinístico, um componente que tem um papel essencial no processo criativo que dá forma e definição ao mundo que nos cerca. Essa nova imagem do homem fornece os fundamentos intelectuais de um sistema de valores mais em harmonia com os valores tradicionais e pode servir como fundamento moral de uma ordem mundial ecologicamente aceitável.


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